Com o fado aconteceu algo parecido à música popular espanhola, a copla. Depois ser favorecida pelas ditaduras como a representação do espírito da patria, cairam numa decadência justamente por isso. A juventude não as tinha em muita consideração, era a música dos avôs. Faz já um tempo que as duas viram valorizar-se nos nossos paises, por meio de músicos e cantores que as actualizaram e lhes tiraram a camada de pó de cima.
Em Portugal há uma geração de jovens fadistas que revitalizaram este estilo. Provavelmente nenhum de eles é muito conhecido na Espanha, outros direitamente não existem para o público destas terras. Se calhar seja Dulce Pontes o nome mais conhecido ainda que acho ela está mais perto de qualquer coisa parecida à New Age (ou como se chame) do que o fado. Também Mariza tinha conseguido entrar nas lojas espanholas com o seu fado mais tradicional e a sua voz grave. Quando digo tradicional, está claro que é até certo ponto porque os arranjos ou as orquestas que às vezes usa nos concertos dam-lhe um ar novo. Mesmo acontece com a Cristina Branco. Outros fadistas adicionam à formação instrumental clássica do fado (guitarra portuguesa, espanhola e contrabaixo) outros instrumentos e movem-se mais perto do pop, como Misia (da que não gosto nada pela sua maneira artificiosa de cantar), Ana Moura ou Camané.
Camané (por fim um homem neste mundo de mulheres) é capaz de cantar um fado castiço e depois ter parte no grupo Humanos, e cantar as canções pop (ou seja naïf) do Antonio Variações.
Pelo que faz à Ana Moura, eu gosto da voz desta rapariga, profunda e como matices que por vezes trázeme lembranças da Amália Rodríguez. Bom, não me matem aí os puristas. Eu não sou uma erudita do fado mas ouço e sei o que pensou e sinto nessa altura.
De certeza haverão muitos cantores que eu não conheça ou estos mesmos serão ou não os melhores. Mas é como com a copla ou o flamenco. Não gosto de todo. Agora na Espanha ficou famosa Estrella Morente e eu não gosto da sua maneira de cantar. Por contra, gosto do Miguel Poveda e há gente que diz que não tém "duende", ou de Lole y Manuel, que são um bocadinho mais antigos, mas são incredíveis, ainda não sejam tão conhecidos pelo grande público.
Voltando ao fado a mais grande formação de fado para mim é Deolinda. Consegueram misturar a música popular moderna com as tradições duma maneira perfeita. Haverá pessoas que digam que não é fado? É possível. Mas é mais luso do que muitos fadistas. São uma combinação óptima entre as inteligentes e engraçadas letras do Pedro de Silva Martins, a sua vibrante música e a voz potente da Ana Bacalhau. São capazes de transmitir sentimentos com muita garra e, ao mesmo tempo, fazer crítica social. Adoro a sua música e espero poder ver-lhes em direito algum dia. A ser possível na terra do fado.
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